Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A chave dos mundos




Abre,
abre a porta do armário,
desbrava o conhecido,
mas não te deixa abater por ele,
pois há,
para os que têm olhos de ver,
mais coisas que os próprios olhos
podem ver num primeiro olhar.
Há mais que ecos,
isso há.
Há mais que silêncio tolo,
isso há.
Há mais,
muito mais,
que verde e amarelo,
vermelho e verde,
há mais...
Há mais que tons,
dias,
sons,
vida.
Há mais que vida,
vistes?
Sempre houve,
a vida não finda com o fim dela,
há mais,
há mais que o fim.
Os olhos de todos,
quase todos,
é que preferem o nada
da mediocridade
e não a razão.
Há mais,
há muito mais além do sol,
além da lua,
além do cosmo e
das galáxias,
há dias sem fim e
noites melhores ainda,
há música,
isso não falta,
há poetas,
homens,
e mulheres,
e anjos,
e seres que
vivem com menos,
mas com mais,
muito mais,
que são mais e tem menos.
Há tudo.
Há tudo o que sonhares,
há terras felizes,
distantes ou próximas,
tu é quem sabes,
contrói
a tua ponte,
não tema o sorriso torto
dos parvos e os olhos
sem luz das enguias.
Abre,
abre a porta
do armário,
vês?
Toma...
Sim, tem essa cor brilhante,
é uma chave...
Sai do armário,
Basta que a coloques ali,
rodes para o lado que quiseres,
porque ela abre,
só abre, não fecha.
Toma a chave do mundo,
dos mundos,
dos sorrisos,
dos cantos,
da música,
da luz,
do sonho...
Abre,
sonhes,
brilhe,
não deixe de brilhar,
de sonhar...

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