Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 9 de julho de 2011

É isso.




É isso,
me coloco sobre o alpendre da sanidade,
sem devaneios,
sem sonhos azuis,
nem mesmo os violetas.
Por enquanto,
somente os transparentes,
os que voam baixo,
pouco,
com cuidado.
Aprecio o que o dia me dá,
bebo da água,
sem me afogar,
como do pão,
mas pouco,
só o que está sobre a mesa,
sem excessos.
É isso,
não voarei alto,
não subirei torres impossíveis,
não farei longos versos
chamando por ele,
não.
Escrevo o que tenho,
o que vejo,
beijo,
toco,
sem mais,
sem aquilo que queria,
desejaria,
e sim,
o que tenho,
e posso.
Talvez,
os sorrisos sejam,
desta vez,
mais longos,
e demore mais tempo
para que eu chore outra vez.
É isso.
Romeu,
este novo,
terá que mostrar que merece
o meu sorriso,
o meu canto,
o meu corpo,
o meu amor.
É isso,
se for amor,
terá que aos poucos
me despir dos meus lutos,
e assim,
sorrir com sonhos feitos
de verdade e não de ilusões.

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