Orpheus, de Franz Stuck

domingo, 4 de março de 2012

Coruja.

Não o incomodem.
Ele está dentro de sua casa! - diz uma velha corcunda
 que passa na rua, vestida de negro e de amarguras.

- Ele está triste. Não quer vê-los! - diz um menino sentado à beira do passeio
que brinca tristonhamente com suas bolinhas de gude.

- Ele foi dormir... Diz que não quer pensar. - diz uma mulher sentada na margem do rio,
ela bate com as roupas na água e canta para espantar as mágoas e a saudade.

- Ele não está! - diz, finalmente, uma doce menina na calçada da porta.
Eles insistem. Ela pisca os olhinhos, esfrega-os e sussurra baixinho:

''- Deixem-no dormir, foi procurar a Esperança nos sonhos!''

Convencidos, eles vão embora.

E de noite, quando tudo está quieto, a floresta dorme e os homens ressonam,
Ele se levanta, abre a janela e ouve, em alguma árvore próxima,
uma coruja dizer-lhe na sua língua de pios:

''A noite é solidão, é solidão, é solidão....''



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