Orpheus, de Franz Stuck

sábado, 3 de março de 2012

Tu és.

Tu és um sol triste
             que se põe todos os dias
na tarde fosca da minha mágoa.

És como uma doce e mítica canção;
cantada e dançada pelos faunos
em torno das fogueiras antigas,
no interior das florestas,
escutada outrora pelas ninfas
que eram atraídas pelo calor
                            das línguas de fogo
e pelas vozes masculinas.

Tu és também céu, lua e estrelas,
pois é lá que muitas vezes te procuro.
És as frases bonitas dos livros que leio,
os olhos vivos dos personagens dos filmes,
o perfume que sinto nas árvores,
a voz dos pássaros.

Vez ou outra,
te encontro também,
onde antes sentava contigo,
quando íamos ao parque,
quando andávamos por aí
- juntos e sem saber direito pra quê
e pra onde.

Tu ainda és a luz que procuro,
As mãos que ainda sinto a tocar-me - sonhando.
Tu és o anfitrião dos meus planos,
o companheiro, o amante, o meu querido.

E mesmo que me cantem os outros,
que eu ouça aqui e acolá,
um ou outro me dizer
                qualquer palavra de encanto,
ainda assim,
são os teus olhos - e a tua voz
que me acometem
e me dizem que eu ainda quero - e não desisti -

de ser todo teu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário