Orpheus, de Franz Stuck

domingo, 18 de março de 2012

Talvez.

O sol  vai se pondo.
As ruas vão se estendendo em sombras,
 magras e compridas sombras.
A luz tão indulgente
do dia marcha para outro lado,
vai deitar-se.
Os meus olhos esperam pela noite,
pelas estrelas.

Eu dei pra essas coisas agora,
pensar demais em estrelas, planetas e constelações.
Por quê?
Bom, a Terra é pesada
e os meus olhos, já pesados, querem algum sonhar,
mesmo que distante,
em insondáveis luzes da galáxia.

O céu, as nuvens e as estrelas
fazem-me mais acreditado nas coisas,
esperançoso, talvez.
Dão-me a ilusão
de que existe sentido para coisas que não entendo.

O sol já foi embora.
Minhas mãos gelam
e já não podem escrever.

Sim, é o momento de se iniciarem outros dias.
Talvez, sejam estes que virão
dias de menos luz,
menos céu e menos fantasia.

E por isso, quem sabe quem sabe,
estes dias venham a ser mais meus.


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