Orpheus, de Franz Stuck

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Noite fresca.



É com a boca a recheada de sonhos,
que me deito hoje, nesta noite fresca,
com vontades que me salivam,
que querem saltar da ponta da língua,
fazendo dela trampolim,
nesta noite dos cataventos,
que sussurram palavras soltas,
onde os ouvidos,
na calma tenra e noite vazia,
parecem que adormeceram por um segundo,
calando o mundo barulhento de todos,
no instante calado do tempo,
um instante já,
que já se foi,
como verbo de raros,
inaudível corolário,
foi-se tão como veio,
vindo e indo,
como miragem dos cegos,
como fantasia dos famintos,
iludindo salivas,
fugindo dos ouvidos que ascendem novamente para altura da lua.

Nenhum comentário:

Postar um comentário