Orpheus, de Franz Stuck

terça-feira, 31 de maio de 2011

O frio da noite vazia.





Alma ingênua, 
mesmo sonhadora,
é esta minha. 
E cada dia, 
com passos e descompassos,
pisando levemente,
sendo pisado, por sua vez, 
sem tanta leveza,
forçado, 
muitas vezes, 
a ter que ver sem o querer,
sentir coisas que sempre abominava,
colher frutos nada doces ao meu paladar metafísico. 
Envolto em névoa, 
mesmo que seja eu o dono do cajado e da barca,
mesmo que seja eu o sacerdote que dissipa as brumas,
ainda sou o rapaz, 
estrangeiro,
do longe,
que tem dentro de si, ainda meiguice,
coisas adolescentes que ainda brotam,
sonhos e por vezes, só sonhos. 
Mas já não é a mesma Avalon que espreito,
esta está distante e quieta.
Distancio as portas brumosas e vejo,
terras sozinhas, 
atormentadas por seres da madrugada,
que depois do crepúsculo,
 gritam rezas para um deus já morto.
Fujo. 
Fujo para dentro de mim. 
E na esperança de encontrar o calor de antes,
abraço,
sem escolha e sem companhia,
o frio da noite vazia.



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